quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Isto vai ficar ainda mais feio...


Austeridade assim, rasgando brutalmente direitos e o contrato social? Não em meu nome!!!

Passos Coelho dixit. Porrada no trabalho e nos rendimentos do trabalho. Nos mesmos de sempre. Aumento do horário de trabalho. Redução dos feriados. Corte brutal dos subsídios de férias e de Natal nos salários e pensões. Corte desumano na saúde, na educação, na protecção social (claro, há sempre umas lágrimas baratinhas e piedosas para os muito pobrezinhos…). Para o capital, o silêncio absoluto e ensurdecedor e a protecção cúmplice do costume. Das promessas e compromissos passados, já meteu a viola e todas no saco. Nem a promessa de não falar na hertança escapou. É um Primeiro Ministro sem palavra nem honra política que governa Portugal.
É a política do mais além no seu melhor. À beira disto, o programa assinado por PS, PSD e CDS-PP com a troika é quase um conto de fadas.
Compreende-se bem a barragem dos últimos dias de notícias em off e de comentadores situacionistas a preparar o ambiente para a trovoada e a aprofundar os sentimentos de culpa e a necessidade de expiação colectiva. Somos todos culpados, não é? Mas nós, os trabalhadores e reformados, somos então mais culpados que os Mexias, Cavacos, Dias Loureiros, Sócrates, Jorges Coelhos, Espíritos Santos, e tantos outros, que se esfalfam a trabalhar pela pátria?
E depois disto tudo, ainda temos que sofrer a ópera bufa da lata de Passos Coelho a vir com ar fradesco e compungido pedir a colaboração dos trabalhadores, dos partidos, dos parceiros sociais e de uma concertação social convertida em farsa para este rasgar autoritário do Direito, das leis, dos direitos sociais e laborais, dos contratos colectivos de trabalho, do contrato social em que se alicerça a democracia. Que mostrou, como nunca desde o 25 de Abril, um Estado e um poder político sem palavra nem lei, que rasga compromissos e direitos unilateralmente sem escrúpulo. Em nome do “estado de excepção” e da “emergência nacional” convenientemente invocada pelas elites no poder, aqui como noutras paragens, sempre que é preciso acalmar os novos deuses dos “mercados”.
E agora, PS? Como vai ser? Vai sucumbir ao canto de sereia da direita no poder e ser o cúmplice “responsável” e “construtivo” que a direita no poder, os poderosos do costume e os comentadores de serviço tanto pedem, ou vai aqui assumir um golpe de asa redentor contra este ataque brutal e recusar este caminho envenenado? Se sucumbir, enterrará então qualquer aspiração a ser parte de uma solução política alternativa. E será tempo de acelerar a recomposição política da esquerda, sem contar com um partido que fez o mal no poder e tem andado a fazer a caramunha numa oposição ensossa, enquanto mantém o espectáculo indecoroso e ambíguo de não ajustar contas com o passado em nome de um futuro inexplicado.
Com uma esquerda dividida e dispersa, por agora incapaz de produzir uma alternativa credível e de propôr horizontes de esperança, resta no imediato a resistência social dos que não se acomodam nem aceitam a culpa colectiva com que querem promover a anestesia social dos humilhados e ofendidos. Do mal presente, algum bem futuro há-de vir. A separação de águas, agora, começa a sério. Entre os que acreditam e vão lutar por uma alternativa a esta austeridade suicidária e recessiva, e os que no poder político e económico querem usar a crise para o ajuste de contas da direita com o 25 de Abril a que há muito aspiravam. Porque ninguém acredita seriamente, à direita ou à esquerda, que com tamanha dose de veneno distribuída de modo tão insuportavelmente desigual e injusto Portugal saia da crise, do défice, da dívida e da recessão. Ainda mais com uma União Europeia em naufrágio neoliberal e à mercê da gula insaciável dos mercados financeiros.

3 comentários:

*C*inderela disse...

é o que dá só votarem no Ps/PSD, o país vai de mal para pior e quem paga somos nós.

Filipa disse...

Fiquei bastante desagradada com as medidas e com o discurso. Ao que chegamos. A que situação lastimável chegou Portugal. O problema é que continuo a achar que estas medidas não vão ser suficientes. Mas também não sei o que será necessário fazer mais. Não sei como sairemos deste buraco onde nos enfiamos (enfiaram).

Gracinha disse...

A coisa está a ficar muito preta e tende a piorar. E os meus maiores receios são os cortes na saúde... Se chegarem em força, vamos ter ainda mais situações de injustiça. Quem tem dinheiro, tem acesso a tudo. Quem não tem, salva-se se puder...